Com base na NBR 6484 e no procedimento de obtenção do Índice de Resistência à Penetração (NSPT) estudado no material didático da disciplina, explique como o NSPT é determinado a partir das três porções de 15 cm de cravação do amostrador-padrão.

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Uma incorporadora pretende construir um edifício residencial de pequeno porte em um terreno até então não edificado, localizado na periferia de um centro urbano de médio porte. Antes de contratar o projeto estrutural, a incorporadora solicitou a um laboratório de geotecnia a execução de uma sondagem de simples reconhecimento com Standard Penetration Test (SPT), conforme a NBR 6484, em um único furo (SP-02), posicionado no centro do terreno.

O relatório de campo, entregue ao engenheiro responsável pelo projeto de fundações, apresenta os resultados brutos do ensaio. Entre eles, estão a identificação tátil-visual do solo retido no amostrador em cada profundidade e o número de golpes do martelo padronizado, de 65 kg, necessário para cravá-lo em cada uma das três porções sucessivas de 15 cm. A cada metro de profundidade sondada, são realizados 45 cm de cravação por ensaio.

Antes de definir o tipo de fundação mais adequado para o edifício, o engenheiro precisa interpretar esses dados brutos, calcular o Índice de Resistência à Penetração (NSPT) de cada camada e classificar o subsolo quanto à sua compacidade, no caso de solos granulares, ou consistência, no caso de solos coesivos, conforme o tipo de solo identificado em cada profundidade.

A tabela a seguir apresenta os resultados brutos de golpes do furo SP-02, para as profundidades de 1,0 m a 6,0 m, já com a identificação tátil-visual do solo registrada pelo sondador:
 

Profundidade (m)Tipo de solo (identificação tátil-visual)1ª porção 0–15 cm (golpes)2ª porção 15–30 cm (golpes)3ª porção 30–45 cm (golpes)
1,00Areia siltosa122
2,00Areia siltosa234
3,00Areia siltosa, com fragmentos de pedregulho3416
4,00Argila siltosa233
5,00Argila siltosa345
6,00Argila siltosa467


Fonte: o autor.​

Exercício 1 – Análise teórica (interpretação)

Com base na NBR 6484 e no procedimento de obtenção do Índice de Resistência à Penetração (NSPT) estudado no material didático da disciplina, explique como o NSPT é determinado a partir das três porções de 15 cm de cravação do amostrador-padrão.

Em seguida, analise os dados brutos e a descrição tátil-visual do solo do furo SP-02. Identifique a profundidade em que os resultados sugerem uma anomalia na execução do ensaio e justifique sua resposta com base no padrão de variação dos golpes entre as três porções de cravação nessa profundidade. Por fim, discuta qual origem física é mais compatível com esse padrão, considerando, por exemplo, o amolgamento do solo, a deficiência de limpeza do fundo do furo ou a impenetrabilidade pontual por matacão/pedregulho.

Exercício 2 – Resolução prática (raciocínio lógico)

A partir dos dados brutos apresentados na tabela do texto-base, calcule o valor do NSPT para cada uma das seis profundidades do furo SP-02.

Em seguida, classifique cada camada de acordo com o tipo de solo identificado no relatório. Para as camadas de solo granular (areia), utilize o quadro de estados de compacidade. Para as camadas de solo coesivo (argila), utilize o quadro de estados de consistência. Ambos estão previstos na NBR 6484 e foram estudados no material didático da disciplina.

Organize os resultados em um quadro-resumo com as seguintes informações: profundidade, tipo de solo, NSPT e classificação.

Por fim, conclua, de forma tecnicamente justificada, se a camada superficial do terreno, até 2,0 m de profundidade, apresenta condições favoráveis para o apoio direto de uma fundação rasa ou se há necessidade de investigação complementar e/ou de uma solução de fundação alternativa.

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